segunda-feira, 8 de junho de 2009

RENASCIMENTO: HUMANISMO E REFORMA



O Renascimento, ou Renascença, foi um período compreendido entre os séculos XV e XVI e é assim denominado por representar uma retomada dos valores greco-romanos. Esse período desencadeia outro movimento: o Humanismo, movimento esse que prega a valorização do antropocentrismo como medida de superação do teocentrismo, que prevalecia na Idade Média. O referido movimento Humanismo prega, propriamente, a valorização dos valores humanos e terrenos. A visão passa a ser humanista. Acentua-se na Renascença a busca da individualidade, caracterizada pela confiança no poder da razão de cada um para estabelecer seus próprios caminhos.
Durante esse período, acentua-se a decadência do feudalismo, principalmente em decorrência do novo modo de produção capitalista, e a ascensão da burguesia. O espírito inovador do Renascimento se manifesta inclusive na religião, com crítica estrutura autoritária e decadente da Igreja, centrada no poder papal. Iniciam-se movimentos de ruptura com esse modelo autoritário representados pelo luteranismo, calvinismo e anglicanismo. Esses movimentos pregavam uma ruptura com alguns preceitos impostos pela igreja. Devido expansão e a forte adesão que esse movimento protestante estava adquirindo, a Igreja reagiu prontamente com a Contra - Reforma, com o intuito de reafirmar os princípios de fé e a supremacia papal, criticada pelos protestantes por não se enquadrar aos moldes propostos pelos Renascentismo.
Com relação a pedagogia, a produção intelectual, seja na literatura ou filosofia, demonstra o interesse em superar as contradições entre o pensamento religioso medieval e os anseios da secularização da burguesia. Nesse contexto de crítica tradição, a educação procura bases naturais, não religiosas, a fim de se tornar instrumento adequado para a difusão dos valores burgueses. Esse ideal é defendido com vigor na obra de literatos, filósofos e pedagogos, apesar de não ser alcançado nas escolas. Apesar da grande produção intelectual não representar uma filosofia de educação como sistema de pensamento coerente e organizado, com exceção do humanista espanhol Vives, o que existe são esboços e fragmentos de reflexão sobre a teoria da educação e pedagogia, que faz parte de uma produção filosófica mais ampla, como é o caso de Erasmo, Rabelais e Montaigne.
A educação é muito importante no Renascimento. Educar torna-se uma questão de moda e uma exigência, segundo a nova concepção de homem, e os colégios proliferam-se, assim como os manuais para alunos e professores. Enquanto os homens muito ricos ou da alta nobreza continuam a ser educados por preceptores em seus próprios castelos, a pequena nobreza e a burguesia querem educar seus filhos e os encaminham para as escolas, na esperança de melhor prepará-los para a liderança e a administração da política e dos negócios. Já os segmentos populares, em geral, não têm seus interesses pela educaç o levados em conta.
A meta da escola n o se restringe transmissão de conhecimentos, mas formação moral. Diferentemente da idade média é proposta uma nova hierarquia, a qual submete as crianças a uma severa disciplina inclusive a castigos corporais. O regime de estudos é de certo modo rigoroso e extenso. Não é abandonada a ênfase no estudo do latim, com freqüente descaso pela língua materna. Esse sistema educacional é duramente criticado pelos humanistas, sobretudo por Erasmo e Montaigne.
Embora presente em teoria o ideal de secularização do humanismo renascentista, esse nem sempre se cumpre, pois a implantação da maioria dos colégios fica por conta das ordens religiosas. Apesar disso, s o criadas, por iniciativa de particulares, outro tipo de escola que melhor se adapta ao espírito do humanismo; essa educaç o leiga propõe uma formaç o intelectual voltada para o ideal renascentista da mais ampla cultura humanística, com atenç o especial ao estudo do grego e do latim. Nesse modelo, embora objeto de cuidado a disciplina procura ser menos rude e intolerante. Na Itália destaca-se o trabalho de Vittorino da Feltre (1373? -1446), que pode ser considerado o primeiro grande mestre de feitio humanista. Feltre, em sua escola, cuida não só de recreação e exercício, mas do desenvolvimento do convívio em sociedade e do autodomínio.
Nesse período, desenvolveu-se também a educação religiosa reformada, proposta pelos protestantes. Em oposição educação proposta pelos protestantes surgiu o colégio dos jesuítas, o qual primava na formação dos mestres para que houvesse eficiência em sua pedagogia. O ensino nos colégios jesuítas seguia as regras do ratium studiorum.
De acordo com o exposto, evidencia-se que o renascimento é um período de contradições, típico de época de transições. Nesse período, a classe burguesa, enriquecida, assume padrões aristocráticos e aspira a uma educaçõo que permita formar o homem de negócios, com conhecimento das letras e, também, que possa desfrutar dos prazeres da vida e do luxo, o que era proibido na Idade - Média.




BIBLIOGRAFIA
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. História da Educação. São Paulo: Moderna. 2ª ed, 1996.

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